terça-feira, 1 de maio de 2012

O QUE É QUE EU AMO QUANDO AMO O MEU DEUS?




AS RAZÕES DO AMOR- RUBEM ALVES


"Os místicos e os apaixonados concordam em que o amor não tem razões. Angelus Silésius, místico medieval, disse que ele é como a rosa : "A rosa não tem"porquês". Ela floresce porque floresce." Drummond repetiu a mesma coisa no seu poema As Sem-Razões do Amor. É possível que ele tenha se inspirado nestes versos mesmo sem nunca os ter lido, pois as coisas do amor circulam com o vento. 

"Eu te amo porque te amo..." - sem razões... "Não precisas ser amante, e nem sempre sabes sê-lo." Meu amor independe do que me fazes. Não cresce do que me dás. Se fosse assim ele flutuaria ao sabor dos teus gestos. Teria razões e explicações. Se um dia teus 
gestos de amante me faltassem, ele morreria como a flor arrancada da terra.


"Amor é estado de graça e com amor não se paga." Nada mais falso do que o ditado popular que afirma que "amor com amor se paga".


O amor não é regido pela lógica das trocas comerciais. Nada te devo. Nada me deves.
Como a rosa que floresce porque floresce, eu te amo porque te amo. 

"Amor é dado de graça, é semeado no vento, na cachoeira, no eclipse. Amor foge a dicionários e a 
regulamentos vários... Amor não se troca... Porque amor é amor a nada, feliz e forte em si mesmo..." Drummond tinha de estar apaixonado ao escrever estes versos. Só os apaixonados acreditam que o amor seja assim, tão sem razões. Mas eu, talvez por não estar apaixonado (o que é uma pena...), suspeito que o coração tenha regulamentos e dicionários, e Pascal me apoiaria, pois foi ele quem disse que "o coração tem razões que a própria razão desconhece". 

Não é que faltem razões ao coração, mas que suas razões estão escritas numa língua que desconhecemos. "


Será que estamos amando um idéia de Deus presente em livros "Sagrados"?

BÍBLIA X CONTEMPORANEIDADE